Campanha Setenta e Quatro "Para lá do blá-blá-blá”

As jornalistas Isabel Lindim e Joana Ramiro querem dar a conhecer temáticas menos conhecidas da COP26 

Setenta e Quatro lança crowdfunding para cobrir a COP26 em Glasgow

A campanha crowdfunding “Para lá do blá-blá-blá” tem como objetivo enviar as jornalistas Isabel Lindim e Joana Ramiro à COP26 para investigarem as ditas reformas verdes e perceber o que defendem aqueles que lutam pela justiça climática na contra-COP.

Setenta e Quatro
4 Outubro 2021

O Setenta e Quatro lançou esta segunda-feira a campanha de crowdfunding “Para lá do blá-blá-blá” com vista a cobrir no terreno a Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP26). O objetivo é angariar quatro mil euros para as jornalistas Isabel Lindim e Joana Ramiro irem a Glasgow, na Escócia, entre 4 e 9 de novembro. Será a primeira cobertura internacional do Setenta e Quatro.

A COP26 será primeira cimeira climática desde a pandemia, mas tem sido alvo de críticas. "Neutralidade carbónica, blá-blá-blá. Neutralidade climática, blá-blá-blá. É tudo o que ouvimos dos nossos chamados líderes palavras, palavras que parecem ótimas, mas que até agora não levaram a nenhuma ação ou esperanças e sonhos. Palavras vazias e promessas”, disse Greta Thunberg na passada quinta-feira durante o seu discurso na cimeira Youth4Climate, em Milão.

“A visão do futuro é clara e mostra a incapacidade dos grandes decisores em cumprir as medidas delineadas há muito tempo", disse Isabel Lindim. 

A convenção em Glasgow acontece poucos meses depois de o Painel Governamental para as Alterações Climáticas ter dado a conhecer ao mundo mais um relatório que confirmou aquilo que já se suspeitava: os efeitos do impacto das alterações climáticas estão a fazer-se sentir muito mais rápido do que se esperava e o aquecimento global será maior que o calculado. A única forma de travar a escalada de fenómenos extremos é reverter imediatamente a emissão de gases com efeito de estufa, concluiu o documento.

É com esta urgência em primeiro plano que o Setenta e Quatro lançou a campanha “Para lá do blá-blá-blá”, disponível no site Go Fund Me. A partir de Glasgow, a Isabel Lindim e a Joana Ramiro apresentarão os lados menos conhecidos da principal cimeira climática mundial. A cobertura incluirá tanto investigações de fundo e entrevistas, como o acompanhamento diário dos desenvolvimentos por via das redes sociais.

“Porque querem as Nações Unidas explorar a mitigação e adaptação num encontro em que se decidem os níveis de emissão de gases com efeito de estufa de cada nação? E porque é esta ordem de trabalhos contestada?”, interrogou-se Isabel Lindim, autora do livro Portugal, Ano 2071 – O impacto das alterações climáticas no país que os nossos filhos vão herdar, publicado em abril deste ano. “Com estes temas, vêm outras questões: qual é a presença da banca na conferência? Que interesses estão por detrás destes investidores? Qual é a sua visão de futuro? De que forma veem os investimentos na adaptação?”.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, tem sido incansável a pressionar os Estados a agirem o mais depressa possível contra as alterações climáticas, mas as mudanças têm sido lentas. “É preciso parar esta guerra contra a natureza. O clima está em mudança e os impactos são já demasiado pesados para as pessoas e para o planeta”, disse Guterres na apresentação do relatório, em abril deste ano.

“A visão do futuro é clara e mostra a incapacidade dos grandes decisores em cumprir as medidas delineadas há muito tempo. É com estes dados que os líderes se vão reunir na COP 26, a conferência onde se debatem as medidas e a falta delas e onde se definem os próximos passos”, explicou Lindim.

Uma incapacidade constante que faz com que não seja por acaso que os principais temas desta COP sejam a mitigação e adaptação às alterações climáticas nas mais diversas áreas, quando antes era o seu combate. Uma agenda muito contestada por organizações de ativistas focadas na urgência climática.

O Setenta e Quatro quer estar dentro da cimeira a investigar as ditas reformas verdes e na rua para explicar o que defendem aqueles que lutam pela justiça climática. 

A cobertura focar-se-á ainda noutras temáticas, continua Lindim. Uma delas será precisamente a importância do uso do solo nas medidas de ação global para a recuperação de ecossistemas essenciais no combate às alterações climáticas. “O Setenta e Quatro pretende confrontar os objetivos delineados com aquilo que realmente se está a fazer em Portugal, o país mais vulnerável ao impacto das alterações climáticas na Europa”, explicou a jornalista que nos últimos anos se tem debruçado sobre a crise ambiental.

Paralelamente à COP26, um conjunto alargado de ativistas vai organizar uma contra-COP, a COP26 Coalition, onde os temas serão debatidos com outras perspetivas. “Normalmente são uma presença um pouco ignorada pela comunicação social. O Setenta e Quatro vai também ouvir esses ativistas e saber o que contestam”, continuou. "Têm ideias muito definidas sobre as ações necessárias para o futuro e quais os responsáveis para que as medidas ainda não tenham passado do blá-blá-blá", como disse Thunberg.

O Setenta e Quatro quer cobrir o que a maioria da comunicação social não cobre. Por um lado, estar dentro da cimeira a investigar as ditas reformas verdes e a analisar as promessas dos líderes políticos. E, por outro, perceber e explicar o que defendem aqueles que lutam pela justiça climática. Mas este jornalismo só existe com o apoio de quem o lê.

Todas as contribuições para o crowdfunding irão permitir a cobertura abrangente e incisiva de um evento cujas decisões poderão afetar irreversivelmente o futuro do nosso planeta. Apelamos ao apoio de quem nos lê e de todos os adeptos do jornalismo independente, porque sabemos que o nosso trabalho fará a diferença, indo "para lá do blá-blá-blá".

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