MIL MAGAZINE #2

Capa da segunda edição da MIL Magazine

MIL Magazine regressa com o festival MIL. E o tema é o futuro da cultura com a transformação digital

A MIL Magazine regressa para uma segunda edição no festival MIL e desta vez debruça-se sobre o futuro da cultura com a transformação digital. O Setenta e Quatro e a MIL Magazine estabeleceram uma parceria.

Setenta e Quatro
6 Setembro 2021

A MIL Magazine regressa para uma segunda edição no festival MIL e desta vez debruça-se sobre o futuro da cultura com a transformação digital. O festival MIL será entre 15 e 17 de setembro no Hub Criativo do Beato, em Lisboa. O Setenta e Quatro e a MIL Magazine estabeleceram uma parceria.

A MIL Magazine, que se afirma como espaço de reflexão e teoria crítica, "acaba por ser uma extensão dos momentos de debate que criámos no programa da convenção do MIL”, explicou Inês Henriques, coordenadora da revista e do programa do festival.

O MIL apresenta-se como um “festival de música dedicado à descoberta, promoção, valorização e internacionalização da música popular”, ao mesmo tempo que "antecipa futuras tendências e aposta em artistas que escapam às fórmulas pré-estabelecidas". Alguns dos artistas a atuar são: YNDI, compositora franco-brasileira, Carla Prata, artista luso-angolana residente em Londres; EU.Clides, Naima Bock, baixista de Goat Girl; Dino Brandão; e Queralt Lahoz, que junta rap, flamenco, R&B e os junta num estilo único. 

O evento terá, nos seus três dias, concertos, conferências, workshops e masterclasses em que o tema basilar é a “necessidade de proteger todo o ecossistema da cultura ao vivo ao mesmo tempo que pensa criticamente a atual transformação digital e o seu impacto”, lê-se no comunicado da organização. Haverá debates sobre o risco de se perder uma geração de artistas, os desafios do jornalismo cultural, a criação de estratégias de longo prazo para o setor cultural e novas abordagens à propriedade intelectual.

Debates que terão como pano de fundo o impacto da pandemia covid-19 no setor da cultura, as dificuldades financeiras de muitos profissionais e as limitações do público no acesso a várias áreas culturais. “Quisemos pensar em quem é que acede ao espaço digital – as questões de soberania digital estão muito presentes na revista –, mas, por outro lado, como é possível democratizá-lo, torná-lo um espaço mais justo, transparente e igualitário”, explicou Inês Henriques“A paralisação do setor obrigou-nos a popular o espaço digital, e isso expôs imenso as fragilidades e desigualdades que vigoram neste setor”.

“Propomos começar de novo aquilo que parece já não ter solução: o streaming. Refletimos sobre como tornar a indústria musical num terreno mais justo para os trabalhadores e como estabelecer novos diálogos entre a academia e as artes, sem esquecer as pontes com o digital”, lê-se no editorial.

A revista bilíngue (português e inglês) debruça-se ainda sobre “como o espaço virtual é terreno fértil para a violência (racial, de género, de classe), para a reprodução de desigualdades, para o surgimento de forças populistas,” e como há comunidades e artistas em contramão na Internet e nas ruas em projetos.

Entre os vários artigos da revista de quase 100 páginas encontram-se títulos como “Transformação digital na cultura, onde estamos e para onde vamos?”, de Mariana Duarte, jornalista da Time Out e do Público e editora da MIL Magazine, e “Porque somos donos dos nossos meios de produção”, de Victoria Ruiz. Mas também artigos como “Liberdade, partilha e resistência: os três sinónimos de comunidade”, de Rute Correia, diretora do Interruptor, e “Esse algoritmo é racista?”, de Rodrigo Ribeiro Saturnino, entre outros.

O diretor da MIL Magazine é Gonçalo Riscado, a editora é Mariana Duarte e a coordenadora é Inês Henriques. O Setenta e Quatro estabeleceu uma parceria com a MIL Magazine e irá publicar alguns dos artigos da edição em papel.

A MIL Magazine funciona com uma lógica não comercial. Ou seja, os seus exemplares poderão ser gratuitamente adquiridos no festival, por a sua existência ser “uma extensão do objetivo de criar momentos de formação e de partilha de visões e ideias do futuro”. “É um projeto financiado por dinheiros públicos e pela DGArtes”, concluiu a coordenadora da revista.

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